Thursday, February 28, 2008

O amor maior que o mundo



Era uma vez uma garota, mas não uma garota normal. Ela era diferente e isso não se atribuía ao fato de seus olhos brilharem mais do que o céu cravejado de estrelas. Era diferente porque amava demais.
Amava tanto, mas tanto que o amor já não cabia dentro dela. O amor era maior que ela, maior que o mundo, um amor sem fim.
A garota precisava dar um jeito naquilo. Não aguentava mais guardar aquele amor.A única maneira porém de resolver a questão era dando seu amor ao menino. Mas como?Talvez ele nem soubesse que ela existisse.
Pensou, pensou e pensou, entretanto continuava sem saber o que fazer. Saiu andando pela rua sob o céu coalhado de estrelas, esperando que a qualquer momento, numa esquina qualquer encontrasse a solução para o seu problema. Sentiu o vento tocar seu rosto. A brisa suave, porém não trouxe a solução, trouxe apenas uma felicidade súbita e por incrível que pareça ela sentiu que o amor dentro dela havia crescido um pouquinho mais.
O que fazer? Perguntou ao vizinho, ao prefeito e a um pessoalzinho que jogava cartas na praça. Conta pra ele! - diziam todos sem pensar duas vezes. Mas ela tinha medo.
E se ele não a amasse?
Ela iria murchar como uma uva passa, choraria até o dia 17 de Fevereiro de 2.928.
Caminhou um pouco mais noite adentro. Resolveu então ouvir seu coração, ele sim poderia lhe dizer o que fazer. Parou por um instante, em silêncio, tentando não ouvir os ruídos do mundo ao redor. O que eu faço, o que eu faço, repetia para si mesma. Seu coração acelerou, deu um pulo, por um momento pensou que ele fosse sair de seu peito e ganhar o mundo, mas ele não o fez. Continuou ali dentro, batendo e batendo como se dançasse ao ritmo da mais linda melodia. Naquele momento ela teve certeza: tinha que dizer ao menino o quanto o amava, tinha de dar todo seu amor para ele.
Precipitou-se pela cidade atrás do garoto. Procurou em todos os lugares, nos bares, nos jardins, no fundo do rio e debaixo das pedras que cobriam as ruas. Enfim encontrou-o, sozinho, andando pela noite.
Hesitou por um momento, respirou fundo e foi ao encontro dele.Não disse nada, mal conseguia respirar, simplesmente jogou todo seu imenso amor em cima do menino. Estranho, não sentiu-se aliviada,continuou a sentir sobre si o peso de um grande amor. Quis gritar mas foi calada pelo menino que tomou-a em seus braços. Ele a amava! O menino despejara sobre a garota todo o amor que por ela sentia. Ele também era diferente. Jazia em Seu peito um amor tão grande que quase não cabia dentro dele. Um amor maior que o mundo.

Wednesday, February 20, 2008

Medo


Medo de não ser capaz de lutar pelos meus sonhos.


Medo de perder as esperanças e desistir.


Medo de não conseguir.


Medo de não morar onde quero.


Medo de ficar minha vida toda num mesmo lugar.


Medo de não conhecer o que há lá fora.


Medo de ter sempre a mesma vidinha monótona e sem graça.


Medo de não conhecer gente nova.


Medo de não ter por perto meus bons e velhos amigos.


Medo de ficar sozinha.


Medo de desapontar as pessoas que são importantes para mim.


Medo de que elas acabem partindo sem saber o quão importantes são para mim.


Medo de não conhecer a pessoa "especial" que será capaz de mudar minha vida.


Medo de nunca viver um grande e verdadeiro amor e morrer sem saber o quanto é bom amar e ser amado.


Medo de não ser feliz.


Apenas medo da incerteza.

Monday, February 18, 2008

Por que dói tanto?


Tudo que eu mais queria era acreditar que tudo ainda pode voltar a a ser como antes.Apenas apagar tudo de ruim que aconteceu e ter você de novo aqui comigo.Sentir você e outra vez ouvir você dizer que me ama, e que vamos ficar para sempre juntos.Sei, tenho que ser forte, te esquecer, mas não é o que realmente quero.
Passo o dia olhando pela janela, esperando que você apareça trazendo consigo aquele sorriso que me deixa boba e me faz tão bem.Assim se passam o dias, minha espera é em vão.Você não vai voltar.Tento sufocar em mim esse amor.Teimo em dizer que não te amo mais, que você não vive mais em mim, porém ao menor descuido meu, sinto como se esse amor crecesce dentro de mim, cada dia mais e mais.É como se a qualquer momento ele pudesse vir à tona, como se fosse explodir dentro de mim.
Daí vem a péssima sensação de que eu errei, a culpa de você ter ido embora foi minha.Falhei, deixei escapar da minha vidinha a única pessoa que fui capaz de amar.Repasso momentos, tento encontrar nos detalhes minha falha, o que fiz de errado.Logo desisto. Está tudo terminado e já não importa mais quem cometeu os erros e mesmo que, eu fosse capaz de assumir que errei e pedir desculpas, de nada adiantaria. Acabou e nada trará você de volta.
Destraio-me e as lembranças teimam em voltar. Me perseguem, me torturam.Ouço sua voz, sinto seu cheiro.Alegro-me imaginando você aqui comigo, mas a felicidade logo esvaie-se.Tento então espantar as lembranças, mandá-las para bem longe e trancá-las em algum lugar de onde não possam nunca mais voltar para me atormentar e me enlouquecer.
Depois de muito tempo, consigo enfim desfazer-me das lembranças e o que resta então é um vazio. Um enorme vazio que se transforma em lágrimas.As lágrimas escorrem pela minha face, têm um gosto amargo.O gosto de um amor mal terminado, talvez um amor imaginário, que nunca existiu, nunca foi real.Mas se nuca foi real, porque dói tanto?